dieta alcalina x câncer

➡️Mais uma dieta da moda, não é mesmo?!🤔Com certeza, a maioria já se perguntou se a dieta alcalina é capaz mesmo de trazer benefícios para o corpo, principalmente quando o assunto é câncer!😶

☝🏼A ideia é que, ingerindo mais alimentos alcalinos e menos alimentos ácidos, o organismo tenderia a se “alcalinizar” e, com isso, retardar ou anular os efeitos agressivos das substâncias produzidas pelo metabolismo celular de células cancerígenas (e saudáveis também).

🚨Mas, como isso acontece? É realmente possível? 👉🏼Senta, que lá vem explicação:

🔹O pH é um marcador que indica acidez e alcalinidade de soluções. Sendo assim, na maioria dos processos vitais, o pH corporal é neutro, salvo algumas excessões, como na luz estomacal, na luz intestinal, etc..

🔹Qualquer reação metabólica (que acontece o tempo todo no organismo) é capaz de modificar o pH e, como sabemos, nada funciona corretamente se não houver um pH ótimo no local (entenda mais ou menos como uma receita que precisa de um fogo médio para ser preparada: se este fogo for alto demais, pode queimar, e se for baixo demais, pode cozinhar muito e passar do ponto).

🔹Apesar disso, o nosso corpo possui um sistema muito eficiente de controlar este marcador, para que todas as reações continuem acontecendo e a nossa vida continue sendo preservada. Em geral, o catabolismo e a produção de radicais livres geram produtos ácidos, que podem acidificar o meio, reduzindo a eficiência de algumas moléculas e, consequentemente, beneficiando o surgimento de comorbidades, como o câncer e outros.

🔹Nossa nutri, então a dieta alcalina pode ajudar?🤔

✋🏼Estamos falando aqui de uma mudança de hábitos e do principal item que os compõem: a alimentação. O corpo humano é uma “máquina” fenomenal quando o assunto é “reparar erros” e, por isso, nosso sistema tampão é extremamente eficiente na correção do pH de qualquer local do corpo e, na verdade, ele não deixa nem de sair da normalidade, pois isso seria incompatível com a vida.

🔹Dessa forma, se você comer limão ou bicarbonato de sódio o dia inteiro, seu pH sanguíneo não vai alterar de forma que faria alguma diferença. Até porque, como eu disse, qualquer alteração no pH sanguíneo (e consequentemente corporal) levaria à morte.

🔹O que vemos são estudos que mostram que o pH da urina pode ter uma leve alteração, que seria explicado pelo fato de os rins serem responsáveis pelo equilíbrio de eletrólitos (substâncias que têm a capacidade de emodificar o pH) no corpo. 🔹Assim, pode ser que as neoplasias do trato urinário tenham alguma ligação com o pH do local, assim como várias patologias têm seu surgimento facilitado pela modificação do pH no local e, nestes casos, pode ser que uma dieta mais alcalina seja funcional. Mas ainda assim, não podemos predizer nada, pois não existem estudos consistentes à respeito e, assim como um pH alcalino pode ser benéfico nestes casos, o ácido também pode.

📢Aos profissionais da saúde:📢 nos cabe, então, orientar nossos pacientes sempre a seguirem uma alimentação balanceada, sem extremismos, e que os nossos pacientes tenham o bom senso de filtrar tudo aquilo que veem em revistas, TV ou internet.

☝🏼Afinal, informação todos têm acesso, mas a forma como é interpretada é que depende de cada um de nós! 😉

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Dieta Cetogênica x Câncer

No pouco tempo de experiência ambulatorial que tive/estou tendo nesta área desde que iniciei a Residência, tenho sido bastante questionada sobre a influência da dieta cetogênica no auxílio contra o câncer. Muitas pessoas são completamente céticas em relação ao tema, e outros já acreditam fortemente que uma alimentação baseada em lipídeos e proteínas pode ser efetiva no combate à doença. E você? O que pensa sobre isso? Será que a ideia é realmente mirabolante?

A premissa é que o câncer utiliza prioritariamente como fonte energética, a glicose. Sendo assim, a dieta cetogênica, por possuir baixíssimas frações de carboidratos, não forneceria energia (glicose) para as células doentes. Vendo por este lado, pode até parecer que essa explicação faz sentido, não é mesmo?! Ainda mais depois de surgirem estudos que mostram que este tipo de alimentação tem efeitos positivos em doenças epiléticas, sem falar sobre a grande perspectiva estética que vemos por trás de dietas como esta.

Apesar disso, na prática, a história é diferente. Existe uma condição, chamada de “efeito Warburg”, que explica o mecanismo adaptação celular à escassez de nutrientes necessários para sua multiplicação – ou seja, aqui já está um motivo para que a dieta cetogênica caia em contradição, até mesmo para quem está visando somente emagrecimento (sem que haja uma patologia grave por trás dos objetivos). O que eu quis dizer com o “efeito Warburg” é que, mesmo sem a glicose, as células tumorais (e saudável também!) se adaptarão para conseguirem utilizar outros nutrientes como fonte energética.

E tem mais: quem já fez essa dieta pra emagrecer sabe que ela causa alguns sintomas bem evidentes, como:

– Cansaço;
– Fadiga;
– Desânimo;
– Fraqueza;
– Desconforto gastrointestinal;
– Irritabilidade;
– Mau hálito (hálito cetônico)
– Entre outros…

Os sintomas são bem inconvenientes, mas este ponto negativo pode não ser suficiente para as pessoas não adotarem a dieta. A justificativa é simples: para a maioria, o câncer é uma doença fatal e, qualquer coisa que possa ter efeitos positivos sobre a doença, é adotado pelo paciente, na tentativa de tratar a patologia e prolongar o tempo vida.

Bom, temos que ter em mente que existem vários estudos por trás das teorias contempladas pela dieta cetogênica e o tratamento do câncer, então cabe à comunidade científica filtrar o que realmente vale a pena, com o objetivo de promover a saúde sempre!

Em uma perspectiva bem recente (de 2017) publicada em uma revista científica renomada na área de Nutrição (Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics), os autores trabalharam com uma revisão de 14 trabalhos publicados nos últimos 30 anos, todos sobre a dieta cetogênica no tratamento do câncer. A maioria destes estudos foram analisados e os resultados mostram que a dieta cetogênica PODE ter efeito positivo em cânceres de cabeça e pescoço, porém é complicado concluir algo consistente, pois os estudos foram realizados concomitantemente com o uso de medicamentos, quimioterapia, radioterapia e/ou outros fatores que influenciam no metabolismo da glicose e gliconeogênese, tais como o uso de corticoides por estes pacientes.

Outro grande problema é que a diferença entre as características dos estudos são determinantes para uma conclusão precisa. Cada estudo foi feito de uma forma diferente (diferentes composições da dieta estudada, diferentes formas de terapia aplicada ao paciente, diferentes tamanhos de amostra, diferentes tipos de neoplasias, etc.) e, por causa dessa fuga de um “padrão”, a qualidade das evidências não permite a afirmação de evidências conclusivas em relação ao assunto. E não para por aí! Tem muita explicação científica e bioquímica por trás dessas conclusões.

Gente, vamos combinar: quem está em tratamento com antineoplásicos, geralmente mal consegue se alimentar, ainda mais manter uma dieta tão restrita como essa! Então, por fim, sabe o que compensa? Ter uma alimentação balanceada! Isso sim vai dar energia suficiente e garantir que o corpo consiga passar pelo tratamento agressivo do câncer sem maiores prejuízos!

Tenha bom senso na hora das escolhas ou, se não souber sobre o assunto, pesquise em locais corretos (artigos científicos com uma metodologia validada por padrões estatísticos e bibliográficos confiáveis, estudos com um bom fator de impacto, etc.) ou procure profissionais que realmente se comprometem com a sua saúde!


Referências

OLIVEIRA, C. L. P.; MATTINGLY, S.; SCHIRRMACHER, R.; SAWYER, M. B.; FINE, E. J.; PRADO, C. M. A Nutritional Perspective of Ketogenic Diet in Cancer: A Narrative Review. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics. 2017. Disponível em: <http://jandonline.org/article/S2212-2672(17)30115-6/fulltext&gt;

http://science.sciencemag.org/content/324/5930/1029

http://cancerres.aacrjournals.org/content/77/4/937

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/eci.12591/epdf

https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs12032-017-0930-5

O que é Nutrição

Hoje eu escolhi um tema aparentemente simples, mas que afeta diretamente a vida de TODAS as pessoas. Quando você ouve a palavra “Nutrição”, o que você pensa primeiro? Em comida? Em saúde? Em estética?

Seja qual for a sua resposta, eu digo: sim, Nutrição é isso TAMBÉM.

Mas não é SOMENTE isso: eu tenho a convicção de que são poucas as pessoas que pensam na Nutrição como ciência, bioquímica, reações moleculares e metabolismo.

Isso porque “de nutricionista e louco, todo mundo tem um pouco”, não é mesmo? Revistas, TV, internet… Onde quer que olhamos, encontramos informações sobre alimentos funcionais, alimentos desintoxicantes, alimentos que ajudam a emagrecer, alimentos diuréticos…

Mas, isso é Nutrição? De fato é, sim, mas você sabe como os alimentos conseguem realizar estes efeitos no organismo? Entendem que “nutrir” não é somente saber que um alimento pode causar algum efeito?!! Nutrir é saber como e porque isso acontece, e planejar estratégias para promover a saúde e qualidade de vida?

Com isso, deixo uma frase muito popular para refletirmos:

Faça do seu alimento, o seu medicamento

Bom dia!

Bom dia pessoal! Primeiramente quero me apresentar, tudo bem?! Vamos lá:

Meu nome é Ana Paula, tenho 27 anos, sou Goianiense e Nutricionista, graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 2016. Atualmente, estou morando em São Paulo, cursando Residência na área de Nutrição em Oncologia, na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Desde a graduação, percebo muitos absurdos e paranoias das pessoas em relação à alimentação, e isso vem me incomodando muito. Afinal, quem conhece realmente a ciência da Nutrição e leva isso a sério sabe que o processo não se resume em somente comer. Pensando nisso, criei este blog. Senti, mais do que nunca, a necessidade de repassar informações consistentes sobre essa profissão maravilhosa que eu resolvi seguir, na busca por menos paranoia quando o assunto é a alimentação!

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